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Samba enredo e o Agronegócio

Samba enredo e o Agronegócio

Publicado em 08/02/2017

Minha definição de samba-enredo: “desfile de  frases ocas  formando  versos de rimas pobres,   que  quase nunca dão liga”. 

Assim é o canto da Imperatriz Leopoldinense   do Rio de Janeiro, cuja polêmica com os representantes do agronegócio  tem repercutido na mídia. 

Meu palpite como defensor incondicional da agropecuária moderna  é que foi um erro dos empresários do ramo implicarem com a letra do samba. Primeiro porque a liberdade de expressão faculta a qualquer um criticar o que bem entender. Segundo  que sem a manifestação do empresariado rural poucos saberiam que há naquela péssima letra musical  uma crítica ao setor. 

Afinal, ninguém está interessado em letras de samba-enredo. Poucos se dão ao trabalho de decifrá-los,  não pela profundidade das ideias , mas pela má qualidade dos textos. Este da Imperatriz, por exemplo, composto por 4 carnavalescos dá a impressão que cada um  fez uma frase e que foram ajuntadas sem muita liga ou gancho.

Em vez de preocuparmos com essas  músicas de gosto duvidoso, acho  que seria  muito mais positivo  mostrar para  o urbano   as vantagens  da tecnologia  aplicada na agricultura empresarial.  

Ele ( o urbano ) não sabe que em  50  anos os produtos agrícolas que ele come  baixaram 80% do preço graças à produção em grande escala  com máquinas sofisticadas e tecnologia apropriada. 

O morador da cidade também desconhece   que para alimentar o mundo, não fossem os defensivos, os fertilizantes, os corretivos e a transgenia teríamos que ocupar mais que o dobro da terra  que hoje cultivamos. No Brasil, por exemplo,   dois terços da área preservada, que é  perto de  60%, precisaria ser incorporada ao processo produtivo derrubando florestas ou não haveria alimento para todos.  

O habitante dos grandes centros  precisa saber que quem é contra o desmatamento deveria ser a favor da agricultura mecanizada e de alta produtividade. Precisamos informá-lo que quem defende a abundância de alimentos a preços baixos  por certo deveria aplaudir as  iniciativas que buscam aumentar a produção e produtividade.
Ele precisa conhecer   o  agricultor moderno, que com raríssimas exceções, é um preservacionista convicto  não por bondade,  mas por praticidade, posto que a terra é sua riqueza e  a conservação dela  a garantia  de produção sustentável e a herança dos filhos.

Em vez de nos preocuparmos com obscuras letras  dos sambas-enredo, seria melhor fazer chegar às cidades a imagem do produtor rural moderno que dispõe de  GPS nas colheitadeiras, usa computadores com desenvoltura,  testa  drones na inspeção das lavouras,  preserva florestas e repõe as que no passado foram derrubadas. E, principalmente,  faz chegar a todas as pessoas alimentos saudáveis disponíveis aos pobres por um preço justo. 

Obs. Aos que acham que escrevo em proveito próprio informo que  não tenho um único pé de soja, uma só vaca de cria nem um magro  bezerro guaxo. (infelizmente). 

Renato de Paiva Pereira – empresário e escritor
renato@hotelgranodara.com.br